domingo, 18 de outubro de 2009

Dependência ou Interdependências? (II)

A Europa ocidental, devastada pela guerra a diversos níveis (perdas humanas, infraestruturas destruídas, campos agrícolas inutilizados), entra numa profunda crise económica e social. É necessário recuperar o que ficou destruído, formar recursos humanos (muitos soldados mortos em combate eram trabalhadores especializados), reconverter a produção industrial, orientada em grande parte para a produção de armamento, e prover aos milhões de viúvas, órfãos e deficientes de guerra resultantes do conflito. Para tal, é preciso dinheiro, e os estados não o têm em quantidade suficiente. Recorrem então a empréstimos, principalmente aos EUA que, entrados na guerra tardiamente, sofrem menos as suas consequências. Se, antes do conflito, é a Europa que empresta dinheiro aos EUA, agora a situação inverte-se, passando os EUA a emprestar dinheiro à Europa. Os empréstimos e as emissões extraordinárias de dinheiro, as importações de bens essenciais e de maquinaria para as indústrias conduzem a níveis elevados de inflação, desconhecidos antes da guerra.
Assim, o período do imediato pós-guerra é de medidas extraordinárias que tentam colmatar os problemas económicos e sociais mais prementes. À medida que a situação estabiliza e que as unidades de produção voltam a laborar para uma economia de paz, a Europa recupera grande parte do seu poder económico anterior à guerra, nomeadamente ao nível das exportações (o que melhora as balanças de pagamentos), mas está agora sempre um passo atrás dos EUA.
É no período de 1921 a 1924 que surgem os primeiros sinais de estabilização da situação económica, que não tem, todavia, o reflexo esperado ao nível dos Défices Orçamentais, que se mantêm elevados, muito por culpa dos endividamentos externos.
Os EUA são, agora, a mais dinâmica de todas as economias industriais, aplicando com sucesso as teorias do liberalismo económico. Isto deve-se, em grande parte, ao facto de possuirem um vasto mercado interno, com um poder de compra razoável, que absorve a maior parte da produção, cada vez mais estandardizada e, como tal, cada vez mais acessível a um maior número de pessoas. Ao contrário da Europa, os EUA abundam os capitais, devido à especulação bolsista, baseada na crescente produção industrial e na cada vez maior importância do dólar americano (a moeda dos empréstimos feitos à Europa), em vias de destronar a até então poderosa libra esterlina.
Verifica-se uma interdependência, com os capitais americanos a fluírem para a Europa, e com os juros pagos pelos empréstimos a serem reinvestidos, em grande parte, no reforço da economia americana, sustentando, ainda, a especulação bolsista de Wall Street.

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