terça-feira, 28 de abril de 2009

A Guerra Civil (1832-1834)




Conquistada a fortíssima posição militar e naval de Angra, nos Açores, por essa armada, D. Pedro partirá depois daí, mais tarde, para invadir o Continente português, o que ocorrerá a norte do Porto, na Praia dos Ladrões, depois rebaptizada de praia do Mindelo, que ficou conhecido como Desembarque do Mindelo, onde actualmente se encontra o grande monumento aos mortos da Guerra Civil, em forma de obelisco colocado junto ao mar, nas rochas do desembarque.



Nos Açores a guerra civil termina de facto com a partida da expedição militar que se dirigiu ao norte de Portugal, desembarcando nos arredores do Porto.fragata Rainha de Portugal em destaque.



A expedição saiu de Ponta Delgada a 27 de Junho de 1832, com uma esquadra composta pela fragata Rainha de Portugal (56 peças), a fragata D. Maria II (48 peças), a corveta Amélia (20 peças), os brigues Regência (16 peças), Conde de Vila-Flor (16 peças) e Liberal (9 peças), as escunas Faial (15 peças), Graciosa (11 peças), Terceira (7 peças), Coquette (7 peças), Esperança (7 peças), Eugénia (10 peças) e Prudência (8 peças) e mais outro navio com 8 peças. Seguem-no 50 transportes com o Batalhão de Oficiais, o Corpo de Guias, os Regimentos de Infantaria 3, 6, 10 e 18, os Batalhões de Caçadores 2, 3, 5 e 12, o 1.º Batalhão de Artilharia, o Batalhão Académico, o Batalhão de Voluntários da Rainha, o Batalhão de Marinha e o Batalhão de Atiradores Portugueses.
Ao todo seriam 7 500 homens de armas, dando origem, depois da vitória, à lenda dos 7 500 bravos do Mindelo, que entraria na mitologia liberal, persistindo por mais de um século no imaginário nacional.



As forças pedristas desembarcadas entrincheiraram-se dentro dos muros da Cidade Invicta, dando os miguelistas início ao duro e prolongado Cerco do Porto. Finalmente, conseguindo furar o bloqueio naval da barra do Douro, uma frota liberal fez-se ao mar e seguiu até ao Algarve, onde desembarcou uma divisão do seu Exército, que avançou para Lisboa rapidamente, protegido pela esquadra inglesa. Lisboa foi entregue ao comandante-chefe liberal, marechal Duque da Terceira, sem combate nem resistência, pelo Duque de Cadaval, antigo primeiro-ministro do rei D. Miguel, em 24 de Julho de 1833.
Levantado o Cerco do Porto graças à queda da capital nas mãos dos pedristas, a guerra continuou no entanto a marchas forçadas e dolorosas, em Coimbra, Leiria e pelo Ribatejo fora. D. Miguel I estabelece então a sua corte em Santarém, onde entretanto morre de peste a infanta D. Maria da Assunção de Portugal, irmã dos dois príncipes inimigos.
Em 24 de Abril de 1834, pelo Tratado de Londres, a Quádrupla Aliança decide-se pela intervenção militar contra as forças do rei D. Miguel I. Enquanto o almirante Napier desembarcou tropas na Figueira da Foz, avançando por Leiria, Ourém e Torres Novas, o general espanhol José Ramón Rodil y Campillo entrou em Portugal através da Beira e Alto Alentejo com uma expedição de 15 mil homens em apoio do partido de D. Pedro e de sua filha D. Maria da Glória. Vai dar-se a definitiva batalha da Asseiceira, ganha pelos pedristas, finda a qual o que restava do Exército miguelista se retirou para o Alentejo, onde D. Miguel I se viu forçado a aceitar a Concessão de Évora-Monte, embarcando em Sines para o exílio, a bordo de uma nave de guerra inglesa.

Sem comentários:

Enviar um comentário