terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A queda da monarquia absolutista francesa


As inúmeras perturbações, começadas em 1788 e 1789, não se apaziguaram com a aprovação da Constituição. Os ódios não se atenuaram, estabelecendo-se um clima de violência contra aqueles que fossem acusados de contra-revolucionários.
Nas regiões onde habitavam católicos e protestantes, havia desde 1790 turbulências político-religiosas.
Os nobres, continuamente maltratados e injuriados, exilaram-se. A partir de 1790, o termo aristocrático era usado como sinónimo de adversário da Revolução ou simplesmente para denegrir qualquer adversário político.
O descontentamento dos camponeses era mais uma fonte de violência.
A degradação da situação económica acentuou-se com o início da guerra em 1792. A penúria deu origem a levantamentos populares e à sua repressão, mas também ao desenvolvimento do mercado negro.
A situação religiosa apresentava-se muito delicada. As leis votadas pela Assembleia Constituinte, prevendo a abolição das ordens religiosas e a constituição civil do clero não estavam a ser cumpridas em muitas províncias francesas e deram origem a divisões entre a população.
O clero dividiu-se em clero constitucional – o que tinha jurado a Constituição – e o clero refractário – o que se tinha recusado a fazer o juramento.
A população também se dividiu conforme o apoio concedido a uns ou a outros.
Luís XVI não aceitava o clero constitucional e entre 1791 e 1792 consumou-se o divórcio entre o Rei e a Revolução.
Os líderes da Revolução também se dividiram. De um lado ficaram Mirabeau, Mounier, Lafayette e outros líderes de 1789, mais moderadoe e de outro ficaram os radicais Barnave, Marat, Danton, Robespierre e outros.
Logo após a declaração da guerra à Áustria (20 de Abril de 1792) e os primeiros desaires militares, a esquerda (Barnave, Danton, Marat e Robespierre) mobilizaram a corrente patriótica em nome da «Pátria em Perigo», considerando todos os seus opositores como traidores a abater. O dinamismo revolucionário, ferozmente nacionalista, mobiliza-se contra a «Europa dos Reis» e impôs-se pelo Terror.
A Assembleia Legislativa eleita em Setembro de 1791 estava «mais à esquerda» que a Assembleia Constituinte e mal tolerava qualquer resistência do rei, mesmo que dentro dos limites da Constituição. Obrigava o rei a demitir os ministros mais moderados impondo-lhe outros mais radicais.
Entretanto, os grupos revolucionários organizados em clubes difundiam as suas teses republicanas e democráticas, por vezes extremistas.
A 10 de Agosto de 1792, a Comuna insurreccional de Paris organizou o ataque ao Palácio da Tulherias onde residia o rei
Na Assembleia Nacional as divergências acentuaram-se provocando o afastamento dos moderados. Foi então decidida a suspensão do rei, depois a sua prisão e a substituição dos seus ministros. Estava consumada a queda da monarquia.

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