segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Revolução Agrícola Inglesa: condições de sucesso

No século XVIII, na região de Norfolk, iniciou-se a chamada "revolução agríciola", ou seja, um conjunto de alterações, rápidas no tempo e marcantes na forma de cultivar os campos. Contando com o apoio do governo parlamentar, os grandes proprietários de terras (landlords) puderam introduzir na agricultura uma série de inovações importantes:



- sistema de rotação quadrienal de culturas (afolhamento quadrienal): o cultivo, de maneira rotativa, das quatro parcelas (ou folhas) de um campo, ao longo de quatro anos, permitia resolver, por fim, o secular problema do esgotamento dos solos e,a ssim, prescindir do pousio (terra deixada em descanso), sendo a parcela/folha em pousio utilizada para plantar forraginosas (ex. trevo) ou leguminosas (ex. nabo), que não esgotam o solo, melhorarndo e servindo para outros fins;


- articulação entre a agricultura e a criação de gado, que devido à falta de outros adubos se torna imprescindível para a fertilização da terra e fornece alimentos e matéria-prima, uma vez que o cultivo de plantas forrageiras alimentavam os animais, assegurando o necessário estrume e incentivando ao melhoramento das raças animais;

- aumento das áreas para cultivo, pela apropriação de terrenos baldios, através de arroteamentos e secagem de pântanos ou ainda pelo emparcelamento (junção) de terrenos, por vezes, retirados aos pequenos proprietários endividados por não poderem concorrer com os preços praticados no mercado pelos grandes proprietários (landlords), que, apoiados por medidas governamentais, transformaram os tradicionais "openfields", incapazes de rentabilização agrícola, em "enclosures";

- aplicação de inovações técnicas, como a selecção de sementes,melhoramento dos utensílios, introdução de alfaias mecanizadas (primeira semeadora mecanizada, a máquina debulhadora), a substituição do boi pelo cavalo, como animal de tracção/de tiro, permitindo maior força (charrua triangular).
As inovações agrícolas resultaram num aumento da produtividade, o qual, por sua vez, estimulou o crescimento demográfico e canalizou a mão-de-obra excedentária para as cidades.

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