segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O "fracasso" do Colbertismo


(...) a França enfrentava a resistência de múltiplas estruturas tradicionais, profundamente enraizadas nos espíritos. Resistência, em primeiro lugar, da velha indústria familiar e artesanal, que dispersava as forjas, fabriquetas de papel e de vidros ao longo dos cursos de água e das regiões florestais, e que agrupava no quadro corporativo as oficinas urbanas dos têxteis ou que as dispersava através dos campos vizinhos. A implantação artificial da manufactura colbertista, num meio hostil, não foi viável por chocar demasiadas tradições; ressentia-se também da sua extrema rigidez, da sua medíocre "racionalização" e por vezes de verdadeiras fraquezas técnicas (...).Por seu lado, o comerciante recusava o comércio "imposto", as iniciativas oficiais, se não lhe pareciam rentáveis. Em consequência, as Companhias de Colbert foram combatidas; a do Norte não resistiu muito tempo; em 1674 a Companhia das Índias Ocidentais sofria uma liquidação desastrosa e, em 1684, a Companhia das Índias Orientais fechava o balanço com um défice de 2,3 milhões de libras (...).As questões de financiamento levantaram, por outro lado, enormes problemas, por vezes insuperáveis. Apelou-se para os funcionários, para os financeiros e mercadores (...). Mas as pessoas preferiam o investimento fundiário e a compra de ofícios (...).

LÉON, Pierre, O Mercantilismo, Lisboa, Gradiva, 1983, pp.116 e 117

O mercantilismo colbertiano, apesar do esforço manufactureiro que trouxe à economia francesa, não logrou equilibrar o orçamento de Estado, que continuou deficitário, nem a situação económica do país.


O “fracasso” do colbertismo poderá assentar nas seguintes circunstâncias:

a) O esquecimento que Colbert votou a agricultura, determinando a estagnação da economia rural e o empobrecimento progressivo dos camponeses (cerca de 80% da população francesa), e o baixo poder de compra invalidou a criação de um mercado interno de consumo para os produtos nacionais, retirando incentivo aos produtores;

b) O excessivo dirigismo estatal exercido sobre a vida económica, desagradou a Burguesia, diminuindo o estímulo à livre iniciativa;

c) Os elevados gastos com a guerra e com as despesas do Estado, factor de um sistemático desequilíbrio orçamental;

d) A constante oposição às medidas mercantilistas por parte da Nobreza, que permanecia ligada à mentalidade económica tradicional.

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