segunda-feira, 24 de novembro de 2008

excessiva dependência de Portugal face à Inglaterra com o ouro do Brasil e o Tratado de Methuen

A descoberta do ouro no Brasil, nos finais do séc. XVII, coincidiu com o abandono da política manufactureira implementada pelo conde da Ericeira.
Sem produção própria, Portugal passou a importar cada vez mais produtos da Inglaterra que pagava com o ouro do Brasil.
Se não houvesse ouro do Brasil, os portugueses ter-se-iam obrigado a manter a produção manufactureira e os ingleses não teriam tido a oportunidade de, em nome de tratados celebrados após a Restauração, invadir os mercados portugueses com os seus produtos.
Abandonada a produção manufactureira, Portugal foi ficando cada vez mais dependente da produção inglesa.
O Tratado de Methuen, assinado em 1703, agravou a dependência de Portugal face à Inglaterra porque, embora esta importasse os vinhos portugueses e isto tivesse favorecido os grandes viticultores, a exportação vinícola portuguesa passou a fazer-se quase exclusivamente para a Inglaterra. Significa isto que qualquer oscilação na procura de vinhos portugueses nos mercados britânicos produziria imediatamente efeitos junto dos viticultores portugueses que poderiam ficar sem mercado para exportarem os seus vinhos. Ou seja, estavam dependentes dos ingleses.
Além disso, os vinhos cobriam apenas uma pequena parte das importações portuguesas, não sendo, portanto suficientes para manter a balança comercial equilibrada.
Verifica-se assim que tanto o ouro do Brasil como o Tratado de Methuen contribuíram para agravar a dependência de Portugal face à Inglaterra.

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